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Teste a receptores de rádio
Muitos entusiastas da rádio têm-me
questionado quais serão os melhores receptores dentro de uma gama de
preços razoável. Não tendo, evidentemente, capacidade para
produzir um conjunto de testes laboratoriais com equipamento próprio,
resta-me revelar as minhas opiniões e convicções pessoais, tentando
sempre manter a imparcialidade relativamente a marcas ou fabricantes.
Assim, tentarei descrever os pontos fortes e fracos de cada receptor
que conheço, apresentando o meu veredicto favorável ou não à
aquisição de cada equipamento. Note-se que os testes foram
efectuados em rádios jamais sujeitos a modificações técnicas, operando
nas condições em que foram adquiridos.
A par dos típicos receptores portáteis, e
porque cada vez mais este tipo de dispositivos têm aplicação de
rádio FM, deixarei as minhas conclusões relativas a telemóveis,
leitores de áudio digital (vulgares MP3s) e outros equipamentos com
rádio.
Naturalmente que este espaço está também aberto a propostas da
comunidade "Mundo da Rádio". Se testou outros receptores e
gostava de partilhar as suas experiências, contacte-nos
pelo endereço electrónico <mundodaradio ARROBA gmail PONTO com>.
Nomenclatura:
- Sensibilidade: capacidade de sintonizar sinais mais fracos.
- Selectividade: capacidade de separar emissões em frequências adjacentes.
- Rejeição de imagem:
quanto maior for a rejeição de imagem, maior será a capacidade do
receptor em eliminar frequências-imagem provocadas pelo próprio
processo de sintonia.
Rádios portáteis:
O conhecido e reputado receptor da Sony cobre de forma contínua a
faixa 150-30 000 kHz, com possibilidade de recorrer à BLU (Banda
Lateral Única) em toda a faixa, a par do sistema de detecção síncrona
que, quando activado, diminui a distorção motivada pelo desvanecimento
do sinal e /ou interferências. Também dispõe, obviamente, da VHF-FM
entre os 76 e os 108 MHz.
Pontos fortes: alta sensibilidade em LF/ Onda Longa, MF / Onda Média e
HF/ Onda Curta; boa selectividade nesta faixa; detecção síncrona, atenuador regulável do sinal.
Pontos fracos: má selectividade em VHF-FM; sem RDS.
Veredicto: Uma excelente escolha para quem gosta de explorar as faixas
LF a HF. Já cheguei a captar autênticas surpresas (de baixa potência de
emissão) em Onda Curta neste receptor. Todavia, para quem procura
também boas prestações em VHF-FM, esta não será, decerto, uma boa
opção.
Receptor de frequencímetro digital com Onda
Média, Longa, Curta e VHF-FM, equipado com 9 memórias para cada banda,
à excepção da OC, que tem direito a 18 memórias. A Onda Curta tem
também BLU.
Pontos fortes: sensibilidade razoável a boa em todas as faixas; modo BLU na Onda Curta.
Pontos fracos:
selectividade em VHF-FM podia ser um pouco melhor. A rejeição de imagem
não é a melhor em Onda Curta, causando a sintonia de algumas
frequências "fantasma". Reduzido número de memórias.
Veredicto: Um receptor com prestações bastantes razoáveis para o
preço. Recomendo para quem procura um bom compromisso preço/qualidade
um pouco acima dos 100 euros.
Receptor com funcionalidades semelhantes ao Grundig Yacht Boy 80.
Pontos fortes: sensibilidade razoável em todas as faixas; modo BLU na Onda Curta, altifalante bastante potente.
Pontos fracos: má
selectividade em
VHF-FM (incapacidade de separar devidamente duas emissões
separadas a 0,3 MHz). Sensibilidade em OC deixa um pouco a
desejar.
Veredicto: A evitar,
considerando que na mesma gama de preços o Grundig YB80 apresenta
melhores prestações. De facto, a performance em VHF-FM desilude.
Telemóveis com aplicação de rádio FM:
Um telemóvel simples da Sony Ericsson lançado em 2008.
Pontos fortes: excelente sensibilidade, RDS com AF (comutação automática de frequências)
Pontos fracos: a selectividade não é má, mas existem modelos da Sony Ericsson que apresentam melhores prestações neste campo.
Veredicto: Não sendo um telemóvel recente pode, porventura, ser interessante se o leitor apenas quiser um "dumbphone" (não-
smartphone) e encontrar este modelo em bom estado no mercado de usados a um bom preço.
Dumbphone da Nokia com rádio FM.
Pontos fortes: RDS com AF (comutação automática de frequências)
Pontos fracos:
sensibilidade fraca; selectividade que deixa a desejar. Para cúmulo, o
aparelho tem uma espécie de "squelch" que silencia o rádio quando
o sinal desce abaixo de um nível razoável.
Veredicto: No que toca ao rádio (e não só), as prestações deste telemóvel deixam muito a desejar.
Smartphone recente com rádio FM.
Veredicto: decepção completa:
má sensibilidade, RDS que custa a aparecer. Os telemóveis Sony nunca
mais foram os mesmos desde que a empresa nipónica comprou a Ericsson e
apostou nos
smartphones.
Este artigo encontra-se em permanente revisão. Apesar
dos meus esforços para tentar melhorá-lo tanto quanto possível, é
provável que o mesmo contenha erros, mormente do foro ortográfico,
gramatical ou até mesmo ao nível técnico (conteúdos). Sugiro aos
leitores que eventualmente detectem quaisquer incorrecções na
página que as encaminhem para o meu endereço de correio electrónico
(infra nesta página); da minha parte, e agradecendo de antemão a ajuda
prestada na melhoria do artigo, prometo corrigir as situações logo que
possível.
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